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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Aspirante a potência mundial

Economia estável, bolsa batendo recordes sucessivamente, queda da inflação e taxas de juros. O Brasil aos poucos vai almejando a posição de grande potência mundial, há pouco tempo o país alcançou o status de “Investment grade”, ou seja, o Brasil passa a receber investimentos de fundos de pensão internacionais que operam somente em países com o tal grau de investimento, desta forma, mais dólares entram no país, aquecendo a economia. Somos um país emergente, propostas como as do Biocombustível, reforçam essa posição, mas olhando pra dentro, será que estamos no caminho certo? Citarei apenas dois dos diversos exemplos existentes, e você tire suas próprias conclusões.


6:20 da manhã, o despertador toca, hora de levantar para mais um dia de trabalho. Uma ducha rápida para despertar, dentes escovados, roupa vestida, um gole rápido de café, um pedaço de pão com manteiga (sobra do dia anterior) e nosso herói está pronto para sair. Ele trabalha no lado oposto da cidade, para economizar na condução e ganhar tempo, ele caminha 7 quarteirões para poder pegar apenas um ônibus. O desodorante tem que ser bom, pois depois de uma caminhada antes das 7 da manhã, o suor é inevitável.

7:00 horas, nosso herói já se encontra no ponto de ônibus, a espera da condução que o levará para o trabalho, ainda sonolento ele tenta manter a atenção, se vacilar e não der o sinal, com certeza o ônibus passará direto, tomar a próxima condução, 20 minutos depois, será certeza de atraso no trabalho, bronca do chefe e se bobear até desconto no salário. São 7:20, o ônibus aponta no fim da rua, nosso herói dá sinal, ele pega sua condução tranqüilo, pois ele conseguirá chegar a tempo no trabalho, o motorista abre a porta e ele entra, sabe o que o aguarda?





Um formigueiro. Logo ao entrar a dificuldade é imensa para se locomover, agarrar-se ao apoio é difícil, pois diversas mãos tentam dividir o mesmo espaço, um verdadeiro exercício de equilíbrio. Após algum empurra-empurra, nosso herói mostra habilidade, ao agarrar-se no apoio com uma mão, e com a outra abrir a carteira, pagar o trocador e com essa mesma mão, guardar as inúmeras moedas do troco. Com dificuldades ele consegue transpor a roleta, a única coisa que ele precisa é encontrar um lugar aonde ele fique fora da rota das outras pessoas e possa se equilibrar. O local encontrado é o vão entre dois bancos, logo a frente de um senhor sentado que lê o jornal do dia. “Ótimo, posso aproveitar para saber as notícias bicando o jornal desse senhor”, ele logo pensa, porém os empurrões de pessoas que querem passar sempre levam sua barriga de encontro ao jornal, irritando o senhor que resolve guarda-lo, lá se vão as notícias. O odor do sovaco do cidadão ao lado começa a causar incômodo, nosso herói começar a ter náuseas devido ao mau cheiro, sem opções para trocar de lugar, respirar pela boca é a única solução.

A viagem já dura 30 minutos, parece uma eternidade, um cidadão sentado logo a frente se levanta, é a chance de sentar-se e ir mais confortável pelo menos nos últimos 20 minutos de viagem, porém a alegria dura pouco, alguns minutos após sentar-se, nosso herói observa uma mulher grávida em pé, faz parte da gentileza urbana, ceder lugar para idosos, pessoas com crianças de colo ou mulheres grávidas, nosso herói não hesitou e gentilmente ofereceu seu lugar para a mulher, “A senhora pode sentar-se aqui”, “Mas por que você está cedendo seu lugar?”, ela indagou, “Mulheres grávidas devem ir sentadas, a senhora, mais do que eu, deve viajar confortavelmente”, ele respondeu, “Quem disse que eu estou grávida?”, ela prontamente respondeu com uma cara de poucos amigos. Nosso herói não sabia o que dizer, ele poderia jurar que a enorme barriga da mulher se tratava de uma gravidez, o semblante dela mostrava claramente que ela não gostou de ser confundida com uma grávida, afinal, ela era gorda mesmo, a gentileza urbana do nosso defensor dos fracos ia por água abaixo, envergonhado ele preferiu se refugiar no fundo do ônibus, faltavam poucos minutos para aquela viagem chegar ao fim. No fundo do coletivo, ao seu lado um jovem de terno e gravata, cabelo penteado impecavelmente, conversa animado com outra pessoa sobre as obras que Deus havia operado em sua vida, porém ele começa a se exaltar, “Só o sangue de Jesus tem poder, os que não vierem pelo amor, virão pela dor, Deus é o caminho da salvação”, aos gritos o jovem começa uma pregação como se estivesse em pleno culto de sua igreja, “socorro”, pensa nosso herói, “preciso descer logo desse ônibus” e sua hora finalmente chega. São apenas 8 horas da manhã, aliviado por ter descido do ônibus, nosso herói está pronto para encarar 8 horas estressantes de trabalho, o translado foi apenas o aquecimento, preciso descrever a prorrogação?

O herói da história acima, somos eu e você, que dependemos do transporte coletivo em nosso país para nos deslocarmos. Muito se fala do caos no trânsito das grandes cidades, o aumento gradativo da frota de carros, que diariamente recebe novos veículos, porém o transporte público precisa de sérias reformas para atender a população de forma descente. A maioria dos trabalhadores do país, enfrenta jornadas desumanas para chegarem e voltarem do trabalho, isso, sem contar o desgaste natural do próprio emprego, o Brasil precisa investir em infra-estrutura, um país emergente que almeja se equiparar às grandes nações precisa prestar atenção nos detalhes, pois são estes detalhes que classificam um país como desenvolvido ou não, se providências não forem tomadas urgentemente, esta situação tende a ficar incontrolável, vide a cidade de São Paulo, que enfrenta milhares de km de engarrafamento todos os dias.

Copa de 2014

Uma luz no fim do túnel para o transporte coletivo nas grandes cidades do país, seria a Copa do mundo de 2014 a realizar-se no Brasil, muitos investimentos serão certamente destinados ao transporte público, desafogando o trânsito das grandes capitais brasileiras e melhorando a vida dos trabalhadores, a Copa do Mundo com certeza deixará bons frutos para o país, não só para o transporte público, mas para a economia em geral.

Outra boa notícia para 2014, que infelizmente está muito distante, será o retorno do festival Rock in Rio para o Brasil, se aproveitando dos holofotes virados para o país durante o ano de 2014, os organizadores do evento que nos últimos anos acontece em países da Europa, como Portugal e Espanha acontecerá novamente no país, 14 anos após a última edição realizada em terras tupuniquins.

Revolta

Esta semana acompanhei algumas reportagens de uma série especial, exibida no jornal da Record entre os dias 9 e 14 de junho, intitulada “Saúde pública: Salve-se quem puder”. Durante uma semana, 10 equipes de jornalismo da Record percorreram hospitais públicos de todas as regiões do país e presenciaram de perto, o drama de milhares de pessoas que dependem do atendimento público em nosso país. Foram dezenas de histórias chocantes e revoltantes de descaso do governo com a população, histórias comoventes como a da menina, que pela demora no atendimento e por um erro médico, ficou entre a vida e morte depois de uma simples queda. Ela conseguiu se salvar, mas sem um dos braços.
Filas intermináveis, instalações precárias e falta de respeito com o trabalhador brasileiro, que sente o peso dos impostos para sustentar o sistema de saúde, mas quando precisa de socorro, não encontra. Há de se ressaltar o excelente trabalho realizado pela equipe de jornalismo da Record, que contou histórias comoventes, bem contextualizadas e muito bem apuradas, ponto para eles.


Enfim, um país emergente, que almeja o posto de país de primeiro mundo, que recebe bilhões de dólares em investimentos estrangeiros, deve olhar para seu próprio umbigo e cuidar dos pequenos detalhes que são responsáveis pela grandeza de uma nação, é inadmissível que em um país como o nosso, pessoas morram de fome ou por falta de atendimento médico, isso deve ser hoje e sempre prioridade de nossos governantes.

Citei apenas dois exemplos do caos que vivemos no Brasil, no transporte e na saúde, portanto refaço a pergunta do começo do post, o Brasil está no caminho certo? De que forma nós cidadãos comuns podemos contribuir para o crescimento e melhorias da nação? Votando?

Grande abraço a todos.............

Dica de filme: Sangue Negro – Vencedor do Oscar de melhor ator com Daniel Day lewis. Em 2008.

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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Brasileiro sim, e daí...


Jovens brasileiros procuram no exterior novos desafios em busca de oportunidades e experiências de vida.
Mudar de vida, obter novas conquistas, adquirir estabilidade, começar a escrever um novo final. Esses são alguns dos desejos de quem sai do Brasil a procura de sorte maior no exterior. Não são poucos os peregrinos Brasileiros espalhados pelo mundo afora e cada um tem uma história particular para contar, alguns de vitória, outros de frustração mas a quase totalidade é de otimismo e de esperança que dias melhores virão.


A cidade de Sombrio, no interior de Santa Catarina não era exatamente o lugar onde Daniel Figueiredo gostaria de passar o resto de seus dias. Nascido e criado na cidade com cerca de 20 mil habitantes, ele enxergava poucas oportunidades de crescer, pois além do fraco comércio, uma fábrica de calçados era a única alternativa restante de arrumar um emprego digno. Seguindo os passos de primos e amigos de infância, Daniel aos 18 anos tomou uma decisão de procurar uma vida melhor longe dali. Cartas e telefonemas de amigos direto dos Estados Unidos foram o que encheram-no de coragem a enfrentar o maior desafio de sua vida até então, a possibilidade de uma vida mais próspera não saia de sua cabeça. Na companhia de mais 5 pessoas, das quais nunca tivera visto antes, pegou um avião partindo de São Paulo com destino a cidade do México, o acerto de 10 mil dólares combinado com um agenciador de uma cidade vizinha seria pago ao longo de seu primeiro ano de trabalho nos Estados Unidos, um “coyote” ficaria responsável por recebê-lo em terras mexicanas e guiá-lo na companhia de um grupo de aproximadamente 30 imigrantes pelo deserto rumo a fronteira com os Estados Unidos. Ao final do décimo dia, desde a partida de sua cidade natal, Daniel chegara ao seu destino final, a casa do primo Rafael, em Chicopee, cidade no interior do estado de Massachusets, o abatimento era visível, devido a má alimentação e a jornadas de até 12 horas diárias de caminhadas ininterruptas, ali começava uma nova etapa na vida de Daniel, que tinha como primeiro objetivo comprar um carro, seu sonho de consumo desde a infância.

A história de Daniel é apenas uma entre milhares de histórias de Brasileiros, que preferem viver uma vida de anonimato, como imigrantes ilegais, longe da família e amigos, encarando jornadas de trabalho de até 18 horas diárias, mas que se sentem vencedores, pois tudo o que conquistam provém de seu próprio esforço.

Estudante em seu último ano do curso de Engenharia de controle de automação na Puc, em Belo Horizonte, Gustavo Farah, 26, sempre aspirou passar algumas temporadas nos Estados Unidos. A oportunidade de aprender uma nova língua, estar em contato com uma nova cultura, conhecer novas pessoas e visitar diferentes lugares, muito lhe chamavam a atenção. Fato que se tornaria realidade com ajuda do amigo Marco Túlio, que há um ano morava no país e se dispôs em ajuda-lo a se estabelecer em terras estrangeiras. Morador de um bairro de classe média da capital mineira, a adaptação em terras estrangeiras foi um pouco dolorosa, queria trabalhar, pois era a oportunidade de fazer uma poupança, algo que lhe desse mais estabilidade ao fim de sua aventura, porém o emprego de atendente em uma rede de Fast Food não era exatamente o que esperava, as longas jornadas de trabalho aliadas ao esforço repetitivo e a pressão do chefe português, por muitas vezes o desanimaram, mas o companheirismo de novas amizades e a força de vontade o fizeram superar as barreiras que lhe foram impostas. Dois anos se passaram e as recordações de Gustavo que está de volta a Belo Horizonte são as melhores possíveis, para ele, o convívio com Brasileiros vindos de diversas localidades do Brasil, pessoas simples que ele dificilmente iria conhecer, são o que ele guarda de mais valioso.

A raça, a vontade de vencer e conquistar uma vida melhor para si e para a família é que torna esses imigrantes vencedores, e apesar de diferentes objetivos e aspirações, mesmo com todas as humilhações e dificuldades eles têm orgulho em bater forte no peito e dizer: Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor.


-------Este é um texto jornalístico escrito por mim a alguns meses, nele nenhum tipo de opinião é expressada, são apenas relatos de histórias reias de pessoas que procuram oportunidades fora do país, meu pensamento sobre o assunto, assim com alguns pitacos, eu deixo para o próximo post.

E você, o que achou? que falar sobre? Buteco NOW...

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