Há quanto tempo não surge uma nova banda , capaz de te empolgar, fazê-lo escutar as músicas incessantemente, decorar as letras e murmurar os riffs? Se você assim como eu anda carente de novidades, eis a nossa esperança: Los Gaúchos de Acero.
Pode parecer brincadeira, mas apesar de precoce, Los Gaúchos de Acero, surgem como uma provável aposta para sacudir o cenário do rock pesado para o futuro. Formado pelo trio de irmãos Emilio, 15, Agustín, 11 e Martín, 10, os garotos da província de Salta, cidade do norte da Argentina, localizada a 1600 km de Buenos Aires são um bom exemplo de como a internet realmente rompe fronteiras e da voz a pessoas nos lugares mais remotos do mundo.
Tudo começou quando eles resolveram filmar algumas mini jams sem nenhum tipo de recurso, no próprio quarto e com apenas uma guitarra e uma bateria, o baixo seria emprestado por um amigo algum tempo depois. Resolveram então disponibilizar o material através do Youtube, o resultado? Vídeos hilários, que mostram garotos extremamente jovens, que apesar da pouca técnica, demonstram muita pegada e transparecem grande paixão pela música além é claro de se divertirem com isso. Está curioso? Dê uma olhada no primeiro vídeo deles tocando Refuse Resist, música do Sepultura, banda que é a responsável pela introdução dos Gaúchos ao heavy metal.
Confessa, é ou não engraçado? Mais lado B impossível. Vendo-os tocar assim, lembro-me de uma entrevista do Rodolfo (ex-Raimundos) na Mtv há alguns anos atrás, onde perguntaram qual era a opinião dele com relação aos Mamonas Assassinas, banda que estava estourada na época. Ele respondeu que apesar de não gostar do som do Mamonas, eles serviam de inspiração para a mulecada ter vontade de pegar uma guitarra e fazer rock ´n roll, ao invés de optarem por um cavaquinho ou pandeiro para tocar pagode, gênero que nos assombrava naquele tempo. É exatamente isso o que esses garotos fazem, porém ao invés de terem Mamonas Assassinas como inspiração, os Gaúchos têm como referência bandas como Iron maiden, Metállica, Judas Priest, Sepultura entre outros monstros do heavy metal mundial.
Após disponibilizarem os vídeos na internet o improvável aconteceu, uma avalanche de acessos de pessoas de todo o mundo, fazendo com que Los Gaúchos figurassem entre os vídeos mais assistidos, atingindo mais de 4 milhões de acessos.
Continua achando que é brincadeira? Los Gaúchos de Acero ganharam destaque na mídia, com matérias publicadas nos maiores jornais da Argentina como o Diário Clarin e o Diário de La Nación, foram notícia em diversos sites de todo o mundo, além de aparições em programas da TV local. Gravadoras já manifestaram interesse em contratar os prodígios do metal, que agora estão se dedicando em escrever composições próprias para gravarem um álbum em breve. Eles atraíram atenção até mesmo do governo Argentino que lhes forneceu equipamentos musicais. Andréas Kisser, guitarrista do Sepultura, tomou conhecimento da banda, através da internet e manifestou interesse em conhecer pessoalmente os meninos de Salta. Dê uma olhada na evolução que tiveram com apenas 6 meses de banda, em uma apresentação no Cosquin Rock 2007, um dos mais tradicionais festivais da Argentina com público total de cerca de 20 mil pessoas em três dias de festa.
Pois bem amigos, existe sim esperança e realmente o rock não está morto, diferente de outros gêneros musicais, o rock tem uma capacidade enorme de se reinventar, a paixão pela música é o que move milhares de jovens de todo o mundo. Los Gaúchos de Acero ainda têm um grande caminho pela frente, mas eu acredito que o talento deles pode sim ser lapidado e quem sabe assim surja uma grata surpresa.
E você? Acredita que Los Gaúchos de Acero têm futuro? Ou são somente alguns garotos desocupados que não têm nada pra fazer no inóspito interior da Argentina?
Abraço a todos.
Dica de Som: Metállica – Master of Puppets
quinta-feira, 3 de abril de 2008
O rock não morreu, será?
quinta-feira, 27 de março de 2008
Pega o Bonde!!!
“Na vida, nada se cria, tudo se copia” ou “na música, o que não se copia, se mistura”, então o que acontece se “misturar, copiar e escrachar”, resultado? Bonde do rolê.
Se você ainda não conhece, assista ao vídeo abaixo, de uma apresentação do grupo em um canal de TV do Reino Unido e tire suas próprias conclusões.
E então? O que achou? Você há de convir que é no mínimo diferente, então antes de entrarmos na discussão sobre o Bonde do rolê, que tal discutir a música em âmbito geral primeiro.
Eu sou uma pessoa que enxerga novidades com muito bons olhos, acredito sim que novas tecnologias podem contribuir para o processo criativo das pessoas, o que gera novas ferramentas e consequentemente novas possibilidades de criação. Antigamente bandas tinham entre seus músicos apenas um guitarrista, um baixista e um baterista, o “power trio”, hoje em dia a presença de um DJ é tão comum, que podemos dizer existir a “power quadra”, isso quando um DJ sozinho não é responsável pela sonoridade inteira de uma banda.
Fazem parte dessa evolução as diversas nuances rítmicas que aparecem e crescem com o passar do tempo, novos ritmos e sons são gerados a partir de aparatos técnológicos ou através da junção e mistura de ritmos e tendências.
Exemplos: Metal + Rap = New Metal, Rap + Pop = Hip Hop, Hip Hop + Samba = Marcelo D2, Rock + Trance = Infected Mushroom, Hardcore + Forró = Raimundos, Forró + Música brega = Calypso, Funk + Putaria = Mc Serginho, a lista é enorme e os exemplos intermináveis, até chegarmos à mistura inédita até então de Funk + Rock = Bonde do rolê.
O Bonde do rolê começou como um trio cutitibano de 2 Dj´s e uma vocalista, fazendo uma mistura de samplers de rock e batidas típicas do funk carioca, com letras despojadas e politicamente incorretas. O grupo que foi criado em meados de 2005 alcançou notoriedade através do Myspace, obtendo reconhecimento fora do país e fazendo turnês por toda a Europa, Estados Unidos e Canadá. Dizem por ai que o Bonde do rolê é a vingança brasileira, pois depois de importar tanto lixo cultural vindo desses países, chegou a nossa vez de exportar nosso “lixo” para eles. Porém como toda banda de ascensão rápida, os problemas e o relacionamento desgastado entre os componentes causaram um racha no grupo, fazendo com que a vocalista Marina abandonasse o Bonde, cargo que foi logo ocupado por duas novas vocalistas escolhidas em um programa da MTV Brasil.
Por que você escuta música? Em minha opinião, música não necessariamente precisa ter cunho político, ou gerar reflexão, música tem que divertir, nos fazer sorrir e dançar, e como não sorrir ao ouvir “as potrancas salafrárias esbanjando saúde”, uma das muitas celebres frases cantadas aos berros pela turma do Bonde. Realmente nunca pensei que riffs de Alice in Chains combinariam tanto com o batidão carioca em “Melo do tabaco”, ou que a “Dança do zumbi” é uma crítica velada e bem humorada da juventude inconseqüente de nosso país.
Finalizando, O Bonde do rolê é uma piada musical, capaz de nos divertir e provar mais uma vez que com um toque de criatividade e competência, misturas e cópias podem ganhar uma nova roupagem e conquistar fãs mundo afora, se terão vida longa? Provavelmente não, a não ser que descubram novas formas de contarem as mesmas piadas.
E você? Acredita que novidades estão diretamente ligadas á misturas? Ou ainda é possível produzir e criar coisas totalmente novas? Abraço a todos.
Dica de som: Bonde do rolê – With lasers.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Potenciais ídolos!!!
O que é ser fã?
Idolatrar alguem? Querer ser aquela pessoa? Ter inveja?
Fã vem de fanatismo? O que nos leva a tornarmos um fã? O quão somos fanáticos por algo ou alguém?
Bom, eu prefiro entender fã, como alguém que admira e/ou respeita o trabalho de determinado artista, ou em outro nível, sintetizando, alguém que admira alguma coisa.
É bom ser fã? Eu acredito que sim, pelo simples fato de ser bom gostar de algo, ter aquilo como referência. É engraçado como o tempo distorce nossas percepções de fanatismo e "heróis" vêm e vão á medida em que vamos amadurecendo e conhecendo coisas novas. Nossas preferências são voláteis e mudam com o tempo, engraçado né!!! Porém algumas coisas sempre continuam lá e nem o tempo com todo seu poder de transformação consegue mudar, que bom que é assim, já imaginou se fossemos uma pessoa diferente a cada novo ano? Enfim, não quero entrar em nenhum tipo de discussão de cunho filosófico, quero apenas relatar minhas experiências "fanáticas" recentes, entre aspas por que eu acho o termo "fanático" muito pesado, pois em alguns casos o fanatismo extrapola a razão, mas esse não é meu caso e tenho certeza que não é o seu também.
Sou fã de música e tenho no Rock o meu referencial maior, pelo fato de ser o gênero musical no qual eu mais me identifico, ou seja, sou fã de Rock, e apesar de flertar com outros estilos, nem mesmo as imposições do tempo, foram capaz de mudar esta minha concepção.
Da mesma forma como nós "fãs", temos nossas percepções e nossas preferências alteradas com o decorrer do tempo, o mesmo ocorre com os artistas, um processo de amadurecimento natural e que as vezes determina caminhos distintos e rumos diferentes na carreira, angariando novos fãs e talvez perdendo alguns.
Sempre tive uma simpatia muito grande pelo Udora, banda que se chamava Diesel nos primórdios. Fui apresentado á eles por um amigo de escola que fazia aulas de bateria com o Jean Dolabella(atual Sepultura) até então baterista do Diesel, ele me emprestou o Cd e me convidou para ir assistir a uma apresentação gratuita deles, que ocorreria em praça pública, em comemoração ao dia mundial do rock. Convidei alguns amigos que tinham gostos parecidos ao meu e fomos conferir a apresentação. Me surpreendi ao ver que uma banda independente e com pouco tempo de estrada já possuia uma base sólida de fãs, que se apertavam para ficar próximos ao palco e que cantavam com desenvoltura as letras em inglês. Resultado, me tornei um admirador também e passei a acompanhar o trabalho deles.
Por que o Diesel me chamou a atenção? Claro que é uma soma de fatores, em primeiro lugar, o poder da música deles era muito grande, o Rock de forte pegada, com guitarras distorcidas, melodias consistentes e letras contundentes, era de grande impacto, as referências ao grunge também me chamaram muito a atenção, pelo fato de ser o movimento responsável pela minha iniciação na música e em muito me lembrava bandas como Nirvana, Pearl Jam entre outros. Porém a identidade própria, única, aliada a uma boa presença de palco, visual e atitude diferenciados, faziam com que aqueles quatro rapazes de Belo Horizonte se tornassem fortes candidatos a alcançarem o posto de grandes representantes do Rock pesado brasileiro no exterior, seguindo os passos dos conterrâneos do Sepultura.
A afirmação do Diesel como um dos grandes expoentes da música pesada no Brasil parecia ser questão de tempo, a primeira colocação no concurso "Escalada do Rock" proporcionou a oportunidade do quarteto mineiro de tocar no Rock in Rio 3, dividindo palco com Deftones, Silverchair e Red hot Chili Peppers. Aquilo me enchia de orgulho, eu torcia por eles não só pela afinidade musical, eu me identificava também pelo fato de ser uma banda da minha cidade e que poderia alcançar o mundo, o que abacou não ocorrendo. Passado algum tempo e após enfrentar uma temporada de cerca de 5 anos nos Eua, terem mudado de nome, integrantes e estilo, o antigo Diesel, atual Udora continua trilhando o caminho da música alternativa, á procura ou não dos holofotes, definitivamente mais maduros e completamente em rumos diferentes.
O som até então mais pesado, deu espaço ao pop rock convencional, comercial e que não traz grande diferença e nem acrescenta muito ao que ouvimos nas rádios hoje em dia, as letras em inglês deram espaço para a lingua pátria e a admiração que eu tinha por aquela banda foi diminuindo, culminando na última apresentação deles que pude conferir na última semana.
A Banda que se destacava pela identidade única, que não tocava covers e que agitava a galera parecia não estar mais ali, no repertório, apenas músicas mais recentes, nada das poderosas canções "burn my hand", "drain" e "4d" da época do diesel, e nem tão pouco "phantom limb" ou da emplogante "Beaultiful Game", ja da fase mais recente do Udora, em troca, covers de Tears for Fears, The Police e Oasis. Uma pena, a banda que agora toma novos caminhos, não me agrada mais e o sentimento que eu tive era de que a grande maioria das pessoas que estavam ali naquele momento, também achavam o mesmo.
Bom, essa é apenas a minha opinião, a solução? Procurar novas bandas que despertem em mim alguma sensação diferente, novos potenciais ídolos.
Será que isso é comum? quantos ídolos você ja teve na vida? Sem contar Pai, mãe e compania...
A impressão que tenho é de que sempre estamos a procura de novos ídolos, que possam nos despertar o desejo de novas conquistas e que sirvam de referencial. Um ídolo que me chamou a atenção neste fim de semana foi de uma outra área, da qual também sou fã, o futebol, o ídolo? Marques, atacante do Galo Mineiro de 35 anos, cujo a trajetória profissional se confunde com a do meu time de coração, e o carisma? Quanto carisma, é impressionante o tamanho da identificação da massa atleticana com esse jogador. Já eram jogados 15 minutos do segundo tempo, o público de 25 mil pessoas cantava em coro "Olê Marquês, Olê Marques", o técnico Geninho dá as últimas intruções para o xodó atleticano antes de coloca-lo em campo, a torcida emplogada não tira os olhos da lateral do gramado, ansiosos para que a substituição ocorra logo e que o resultado de 0 x 0, contra o modesto Social de Coronel Fabriciano se transforme em uma possível goleada. Até que, tomado de emplogação, distraído, gritando o nome do meu ídolo, percebo que algo diferente acontecia no campo, os gritos de "Olê Marquês" vão se calando aos poucos, vejo o goleiro do Atlético buscando a bola dentro do gol, do gol? "foi gol"? pergunto ao lado, "parece que foi" me respondem torcedores que como eu não sabiam o que tinha acontecido, cadê o replay?.... 1 x 0 para o social, parece brincadeira, mas acredito que metade do estádio prestava atenção na beirada do campo e perdera o belo gol feito pelo time adversário, gol este que decretou a derrota de nosso time e que nem nosso ídolo Marques, foi capaz de reverter. Mais uma derrota. E ai, existe solução? É tão fácil procurar um novo time para torcer, como uma nova banda para ouvir? Acho que não, estou fadado a torcer para o mesmo time até o fim da vida, e esperar que novos potenciais ídolos possam surgir. Se eu não estivesse acostumado com isso (os cruzeirenses que não vejam isto aqui), eu teria ficado mais chateado.
Resolvi então ir ao teatro, assistir uma peça de outros ídolos, não meus, mas de muita gente por ai. O nome da peça é Chico Rosa, um diálogo musical numa mesa de bar, entre Noel Rosa e Chico Buarque, encontro inusitado, pois Noel faleceu 7 anos antes de Chico nascer. Dois sambistas de marca maior, muito bem cantados e interpretados pelos atores Luiz Rocha e Ricardo Nazar, o resultado? O grande teatro do palácio das artes lotado, no repertório, samba, muito samba e muito sono. Sei que fãs de Chico e Noel deveriam estar estaziados ao presenciar aquele encontro lúdico, mas eu, apesar de respeita-los como exímios artistas e sei que o são, quase durmi dentro do teatro, ser fã deles, acho que não.
Finalizando, todos nós somos fãs de algo na vida, alguns ídolos, com o tempo, deixarão de ser, outros continuarão sendo, mesmo que lutemos contra, enquanto alguns nunca serão, por mais que possamos respeitar. Mas uma coisa é certa, ter ídolos é muito bom, desde que entendamos que nossos ídolos também são seres humanos como qualquer outro, capazes de errar ou acertar.
E você, qual o seu potencial ídolo?
Dica de som: Udora - Liberty Square
Dica de filme: Efeito Borboleta
Abraços.